Alberto Oliveira Pinto: A História de Angola tem muitos “silenciamentos”

Alberto Oliveira Pinto, concedeu uma entrevista ao Jornal de Angola. Em que fala da sua paixão pela investigação da História de Angola e do encanto pela ficção, trocada há 20 anos pela pesquisa e investigação.

Alberto Oliveira Pinto nascido em Luanda, em 1962,   vive em Portugal. Esteve em Luanda a propósito da outorga do Prémio Sagrada Esperança de Literatura.

Alberto Oliveira Pinto professor universitário, escritor e historiador. Como confiar na História, quando existem grupos economicamente fortes, ideologicamente dominantes, que encomendam, de alguma forma o que os historiadores devem escrever sobre determinados factos de uma determinada forma e não de outra?

Isto sempre aconteceu. A manipulação da História por quem tem o poder político e por quem tem o poder económico, sempre aconteceu. Já no tempo dos reis de Portugal havia sempre colunistas e aqui os reis do Congo, do Ndongo, tinham também os seus colunistas orais. Mais que contavam e narravam as histórias segundo as conveniências de quem tinha o poder político e económico.

Em primeiro lugar, temos de ver que isto sempre aconteceu, não é um fenómeno moderno. Em segundo lugar, eu penso que um historiador tem de ter em conta a sua própria consciência, pensar pela sua própria cabeça, sem deixar-se levar pelos poderes que o seduzam.

Eu procuro escrever de acordo com que me diz a minha consciência. Mas ouço as opiniões de outros historiadores, que também estudaram estes ou aqueles aspectos. Hoje, podemos trabalhar menos isolados, temos de fazer congressos, encontros, ler os trabalhos um dos outros. Mas, temos de pensar pela nossa cabeça. É o fundamental.

“É preciso investigar a História ddocumentos”

Era o que estava a dizer. Tem havido uma tendência e é preciso ver e não esquecer que Angola é independente há 42 anos. E 42 anos em História é pouco tempo. É preciso investigar a História de Angola recuando para muitos anos atrás.

É fundamental que assim seja. Quando nos prendemos aos últimos 42 anos, evidentemente, estamos preocupados com os factos. É positivo, mas não chega. Estamos preocupados como narrar os factos de uma forma e narrar os outros de outra forma. Mas acho que é também preciso ouvir o depoimento de quem viveu isto ou ainda o documento ou mesmo buscar jornais de épocas recuada.

Há que recuar mais e ver o que ficou na cabeça das pessoas sobre o passado. É um exercício complexo à primeira vista, mas penso que é incontornável e bom.

 

Jornal de Angola

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